Por que admiramos alguem? Seria porque essa pessoa "é"..... a pessoa em si? Ou seria algo que ela fez... algo que ela externalizou?
Gostamos de tal escritor... tal músico... tal artista... tal amigo... sempre por algo que tal pessoa fez, somos aquilo que fazemos e demonstramos ao mundo!
Então gostamos, ou detestamos, do autor ou da obra? Das pessoas em si.... ou de como elas se mostram ao mundo?
Nesse cenário de "aparências" ou "máscaras" não há verdadeiro ou face escondida... mas somente aparências e máscaras.... então nos entregamos, mas de maneira consciente, à admiração do externo... afirmemos "gosto do autor devido sua obra!"
Passamos adiante para obras de autores desconhecidos... vale a pena o esforço para descobrir quem é o autor? Para que esse esforço se o que chega a nós é apenas sua externalidade.... Sua obra? Vale a pena sacrifícios para que a obra tenha esta ou aquela assinatura, já que a linhagem do autor, os únicos que poderiam aproveitar a fama do antepassado, já se extinguiu?
Vamos adiante... à obra máxima! O mundo... quem o criou? O que é eterno... o criador, sua obra ou ambos? Quem está certo... cristãos, evangélicos, mulçumanos, judeus, espiritas, pagãos?
Quanto a obra deste criador já não sofreu apenas para que essa mesma obra tivesse uma assinatura? Quantos não morreram e morreram para esse objetivo efémero?
Devemos voltar a adorar o "Deus desconhecido" dos sábios gregos... assim adoraremos o que deve ser adorado.... a obra, não seu autor! Para aqueles que adotarem essa religião justa uma árvore será uma árvore, mas não deixará de ser bela por isso... eles não mataram ou prejudicaram ninguém para que haja uma assinatura nesta obra..... Afinal uma árvore é uma árvore para cristãos, evangélicos, mulçumanos, judeus, espiritas, pagãos... há tolerância na adoração da obra e violência na definição do autor!
quarta-feira, 27 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
O indivíduo sem coração
Não a toa que escolho esse título. Em uma conferência dada junto a outros pensadores contemporâneos (cuja data e nome ao certo citarei em breve!), o filósofo e historiador francês Paul Veyne, tem seu artigo intitulado 'O indivíduo ferido no coração pelo poder público'. Veyne, que é especialista no período romano, nos atenta para o fato de que, em grandes governos onde as massas são dominadas de modo uniforme (o Império Romano, por exemplo), sempre havia um limite onde o poder dos governantes podia ir. Em Roma havia corrupção, mas ela diferia em dois pontos principais do que nós chamamos por corrupção: ela era pública, ou seja, não havia mistérios; era como se fosse a parte que cabia aos governantes uma vez em sua posição; e ela tinha limites.
Quando havia um abuso de poder, os cidadãos de tal lugar se sentiam feridos, como se um determinado ato fosse tão absurdo que mesmo as massas alienadas se sentiriam incomodadas.
Analisando os termos do próprio título, temos que indivíduo é utilizado não ao acaso aqui, uma vez que Veyne procura ressaltar o caráter da vida privada, do particular dentro de uma massa. E utiliza coração para fazer uma referência à sentimento, algo humano dentre uma massa tida como objeto.
Um exemplo de indivíduo que se fere no coração aqui em nossa amada pátria foi o escândalo e impeachment de Collor, onde o roubo da previdência foi o bastante para ferir a massa, que em contraposição soltou a voz tão quieta de costume.
Mas então, o que houve com o coração do indivíduo brasileiro nos últimos tempos? Será que mensalões e roubalheiras desveladas como essa não são o bastante para ferir nenhum coração? Ou será que finalmente as massas foram robotizadas e o orgulho humano finalmente foi substituído pela alienação e cegueira?
Quando havia um abuso de poder, os cidadãos de tal lugar se sentiam feridos, como se um determinado ato fosse tão absurdo que mesmo as massas alienadas se sentiriam incomodadas.
Analisando os termos do próprio título, temos que indivíduo é utilizado não ao acaso aqui, uma vez que Veyne procura ressaltar o caráter da vida privada, do particular dentro de uma massa. E utiliza coração para fazer uma referência à sentimento, algo humano dentre uma massa tida como objeto.
Um exemplo de indivíduo que se fere no coração aqui em nossa amada pátria foi o escândalo e impeachment de Collor, onde o roubo da previdência foi o bastante para ferir a massa, que em contraposição soltou a voz tão quieta de costume.
Mas então, o que houve com o coração do indivíduo brasileiro nos últimos tempos? Será que mensalões e roubalheiras desveladas como essa não são o bastante para ferir nenhum coração? Ou será que finalmente as massas foram robotizadas e o orgulho humano finalmente foi substituído pela alienação e cegueira?
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