domingo, 6 de março de 2011

Qual a nova onda?

Três dias atrás (04/03/2011), o ministro da fazenda, Guido Mantega, anunciou que, segundo dados preliminares da economia brasileira referentes a 2010, pela PRIMEIRA VEZ atingiremos uma marca histórica: teremos agora um PIB maior do que a dos dois países precursores do liberalismo mundial, França e Reino Unido, sobretudo Inglaterra. Creio que a grande questão que é colocada agora é: qual a nova onda, ou seja, qual o novo modelo de crescimento e desenvolvimento a ser adotado daqui em diante?

Olhando para trás, chegamos ao século XVIII, quando Adam Smith publicou sua obra máxima, esboçando os princípios que viriam a ser adotados nos próximos 153 anos ( até 1929). Vemos também que as políticas de desenvolvimento adotadas pelos governos variam de tempos em tempos, ora sendo mais abertas, liberais, ora mais protecionistas e com governos intervencionistas. Creio que seja unânime hoje o seguinte fato: as economias que mais prosperam, mais crescem e ganham espaço no comércio internacional são aquelas onde os Estado têm assumido crescentes responsabilidades, vide China, Brasil, Índia. Economias historicamente mais abertas, como a britânica, ou até mesmo a japonesa, têm enfrentado ínfimas taxas de crescimento há pelo menos 15 anos. 

Os Estados Unidos da América, maior representante dos princípios do laissez-faire, também se deu conta de que o século XXI pertence àquelas economias onde o Estado está fortemente presente, com o governo investindo, gastando..., tanto que na última crise mundial o FED (o Banco Central americano) comprou enorme quantidade de ações de grandes bancos, passando a ter, "como nunca antes na história daquele país", importante participação na tomada de decisões do sistema financeira mais importante do mundo. 
Qual a nova onda?

3 comentários:

  1. Se bem gerida a participação estatal na economia é muito bem vinda, mas é preciso se perguntar qual o motivo da intervenção, qual o motivo da existência do Estado? O principal motivo é o bem-estar da sua população!
    Então quais são os benefícios que o Brasil pretende dar à sua população com um PIB tão expressivo... será um benefício que dará a nossa população a mesma qualidade de vida da França e Reino Unido?

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  2. Concordo que o principal motivo da intervenção do Estado na economia seja o bem-estar de sua população, sendo o seu próprio motivo de ser. Contudo, penso também que algumas vezes são necessárias algumas medidas com impacto negativo na opinião pública e no bem-estar da população, mas que tem como alvo o longo prazo. Vejo com bons olhos os cortes no 50 bi no orçamento no governo, mesmo que tenha havido cortes em importantes setores, como saúde, educação e defesa. Penso que algumas vezes os líderes de Estado defrontam-se com decisões que podem ser tidas como impopulares (impacto direto nos votos), mas que verdadeiramente tenham como alvo o bem-estar da população a longo prazo, o que penso ser mais importante.
    Observação: a qualidade de vida na França, Espanha, Grécia, Itália etc..., tem caído progressivamente.

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  3. Exatamente. O bem-estar da população exige, em diversas ocasiões, o sacrifício de curto prazo em vista de um benefício maior a longo prazo! Não são poucos aqueles que não conseguem enxergar para além de um ano... ou do próprio interesse. Isso, se aplicado no exemplo dos cortes citados, são representados por setores da sociedade ou partidos, que embora saibam o motivo e benefícios de longo prazo, usam a questão para ganhar legitimidade junto aqueles que não tem visão crítica.... a maioria do eleitorado!

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